A dança como instrumento transformador e de melhoria da saúde mental voltada para o público LGBTQI+, que cumpre pena na maior unidade prisional da Paraíba. Estes são os objetivos básicos do Projeto “MoveMente”, implantado na terça-feira (5), na Penitenciária de Segurança Máxima Desembargador Sílvio Porto, em João Pessoa. Atualmente, o presídio tem uma população carcerária com mais de 1.700 apenados, sendo a maior do Estado.

Na oportunidade, dançarinas fizeram uma apresentação para o público formado por magistrados (as) do Tribunal de Justiça da Paraíba, jornalistas, policiais penais, apenados e representantes da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O “MoveMente” está consolidado no Presídio Feminino Júlia Maranhão, onde já funciona há cinco anos e beneficia 40 reeducandas. O Projeto nasceu de uma parceria envolvendo o Poder Judiciário estadual, as diretorias das Penitenciárias e a Secretaria de Administração Penitenciária.

Para o juiz titular da Vara de Execuções Penais (VEP) da Comarca da Capital, Carlos Neves da Franca Neto, que estava presente na primeira apresentação do “MoveMente”, no Sílvio Porto, a iniciativa une música, dança e trabalho físico, para agregar uma melhor situação de saúde mental e de boas expectativas às reeducandas.

“Este é um momento singular, na medida em que houve esse envolvimento de todos os atores preocupados em reinserir o apenado à sociedade, com a participação de voluntários. Todo esse trabalho traz resultados muito positivos, não só pessoais, mas para o próprio sistema prisional, uma vez que a continuidade dessa atividade gera remissão de pena”, comentou Carlos Neves.

Para a professora Germana Dália, “MoveMente”, além dos benefícios à saúde, leva alegria e leveza às reeducandas, com exercícios funcionais e dança. “Depois de cinco anos no Júlia Maranhão, conseguimos estabelecer o projeto em mais uma unidade prisional, beneficiando as meninas do Sílvio Porto. Nosso foco é trazer o empoderamento dessas mulheres trans, para que se sintam seguras e capazes de aprender, evoluir e de se transformar”, disse. 

A professora informou que no Sílvio Porto, das nove mulheres trans, seis estão no projeto. “As atividades também previnem doenças, combate o sedentarismo no ambiente prisional e assegura melhor qualidade de vida para reeducandas”, acrescentou Germana Dália.

Novo olhar – Aisla Camila do Nascimento, 24 anos, é uma das alunas do Projeto “MoveMente”. Ela foi um dos destaques da apresentação da terça-feira (5) e falou do significado da dança em sua vida. Muito animada com a oportunidade de dançar duas vezes na semana.

“Tenho certeza que as pessoas terão um novo olhar, quando a gente sair daqui. Só posso agradecer a todos envolvidos, principalmente, a juíza Andréa Arcoverde, ao diretor do presídio e a nossa professora, que é maravilhosa”, destacou, Aisla revelou que já dançava antes de entrar na penitenciária. “Sempre fui boa em dança, mas agora estou ficando melhor”.

TJPB

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