O deputado federal Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República. Com 94,44% dos votos apurados, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ele está matematicamente eleito. Com esse total de votos, Bolsonaro alcançou 55,4% dos votos válidos, em linha com a pesquisa de boca de urna do Ibope. Fernando Haddad (PT) tem 44,6% dos votos válidos.
O Ibope apontou vitória do candidato do PSL por 56% dos votos válidos ante 44% de Fernando Haddad, do PT. A diferença de 12 pontos entre Bolsonaro e Haddad na conta dos válidos do Ibope pode ser considerada alta. Equivale a primeira vitória de Dilma Rousseff, em 2010. A mesmo tempo, porém, é uma diferença menor que a apontada por outros levantamentos feitos semanas atrás. Pesquisas de segundo turno chegaram a mostrar o candidato do PSL com algo próximo a 60% das intenções de voto em seu auge. Isso mostra que ele perdeu alguns milhões de votos na reta final da disputa, mas não em velocidade suficiente para perder a dianteira para Haddad.
Os últimos dias daquela que deverá ficar marcada como a mais imprevisível e disruptiva eleição presidencial desde a redemocratização foram marcados por uma inédita espécie de competição de rejeição. De um lado, o antipetismo exacerbado que tomou conta de parte relevante da sociedade. De outro, o medo de aumento da violência e enfraquecimento da democracia associado a Bolsonaro. No fim, o antipetismo acabou se mostrando maior.
Alimenta-se agora a expectativa de que um Bolsonaro eleito sinalize por união e arrefecimento dos ânimos. Até hoje, porém, mesmo liderando a disputa com folga, ele não deu sinais nessa direção. Pelo contrário. Seu último discurso, feito por meio de uma mensagem transmitida num telão na avenida Paulista a uma multidão de apoiadores reunidos num ato, foi de acirramento. Chegou dizer explicitamente que seus opositores deveriam ser presos ou deixar o país.
Uma vitória de Bolsonaro com cerca de 60% dos votos válidos aumentaria demasiadamente sua influência naquela que deverá ser a próxima grande disputa política com data marcada: a das presidências da Câmara e do Senado no ano que vem, no início da próxima legislatura. O resultado positivo pró-Bolsonaro, mas não tão elástico, poderá servir de contrapeso a sua influência.
O PT sai da eleição derrotado e com uma votação no segundo turno mais ou menos no mesmo padrão das eleições anteriores à chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2002. Além disso, seu principal líder político segue preso em Curitiba, sem perspectiva de sair.
O PT, porém, sai da disputa com instrumentos relevantes para liderar a oposição. O partido termina a eleição com quatro governadores eleitos (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte), mais do que qualquer outro concorrente na comparação direta – PSDB, MDB, PSB e PSL elegeram três governadores cada um. O PT sai ainda da disputa com a maior bancada de deputados eleitos para a Câmara dos Deputados – 56 cadeiras, quatro a mais que o PSL de Bolsonaro e 19 a mais que o terceiro partido, o PP. grande questão que se coloca a partir de agora é qual será o papel a ser exercido pelo ex-prefeito Fernando Haddad – figura que conseguiu furar levemente a bolha do antipetismo, evento simbolicamente representado pela declaração de voto do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, mas não exerce liderança entre seus pares comparável com a de Lula.
Valor Econômico
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